Kautt

Kautt Radar / Negócios

Mercado de Carros Usados: Desaceleração Marca Terceiro Trimestre

06 de outubro de 2026

O mercado brasileiro de veículos usados registrou seu desempenho mais tímido em anos durante o terceiro trimestre de 2024. A desaceleração reflete uma mudança na dinâmica de preços impulsionada pelo retorno da competitividade no setor de carros zero-quilômetro e pelo cenário macroeconômico cauteloso.

O Fim do Ágio? Por que a Valorização dos Seminovos Perdeu Fôlego

O mercado automotivo brasileiro atravessa um momento de transição nítida. Após um longo período de valorização atípica, impulsionada pela escassez de componentes na pandemia, o setor de veículos usados agora pisa no freio. Dados recentes do Índice IBV Auto revelam que, entre julho e setembro, o avanço nos preços foi de apenas 0,36%, marcando o desempenho trimestral mais fraco registrado desde 2022.

Essa variação marginal contrasta fortemente com o crescimento observado no segundo trimestre do ano, sinalizando que o teto de preços para modelos de segunda mão pode ter sido alcançado. A estabilização não é apenas um fenômeno isolado, mas o resultado de uma convergência de fatores econômicos que alteram a jornada de compra do consumidor brasileiro.

O Retorno da Agressividade nos Veículos Zero-Quilômetro

Um dos principais catalisadores dessa estagnação nos usados é a normalização da cadeia de suprimentos dos fabricantes. Com os pátios das montadoras novamente abastecidos, as concessionárias voltaram a apostar em estratégias agressivas de vendas. Promoções que incluem taxa zero, bônus na avaliação do usado e descontos diretos estão seduzindo o comprador que, até pouco tempo, era forçado a recorrer ao mercado de seminovos pela falta de pronta-entrega.

A concorrência tornou-se desproporcional. Quando o preço de um seminovo com dois anos de uso se aproxima demais do valor de um modelo novo com garantia de fábrica, o mercado naturalmente se corrige. Essa pressão descendente obriga lojistas e vendedores particulares a revisarem suas margens para manter a liquidez dos estoques.

Cenário Macroeconômico e o Poder de Compra

Além da dinâmica interna do setor, a conjuntura econômica do Brasil desempenha um papel fundamental. Embora o desemprego apresente números historicamente baixos, o custo do crédito continua sendo um entrave severo. Com a taxa Selic em patamares elevados, o financiamento de veículos — modalidade utilizada na maioria das transações — torna-se mais caro e restritivo.

As instituições financeiras estão mais criteriosas na concessão de crédito, temendo o aumento da inadimplência. Esse cenário reduz o fluxo de compradores no mercado, forçando uma estabilização nos preços. O consumidor, mais cauteloso, tem priorizado gastos essenciais ou buscado veículos de menor valor agregado, o que impacta diretamente a média ponderada de valorização do setor.

A Nova Realidade do Mercado Automotivo

Para o restante do ano, a expectativa é de que o mercado de usados mantenha essa trajetória de estabilidade. Não se espera uma queda brusca, mas a era das valorizações explosivas parece ter ficado para trás. Profissionais do setor agora precisam focar em giro de estoque e qualidade do produto, já que o comprador está mais exigente e possui mais opções de escolha.

O mercado está voltando a um estado de normalidade racional. A valorização de 0,36% é, na verdade, um indicativo de que a bolha de preços pós-pandemia finalmente desinflou, devolvendo ao carro usado seu papel tradicional de alternativa de custo-benefício em relação ao modelo saído da fábrica.

No Kautt Radar, vemos essa estabilização como um sinal de amadurecimento saudável do mercado, onde a eficiência operacional das lojas passará a ser mais importante do que a simples flutuação de ativos.

#Mercado Automotivo #Carros Usados #Economia Brasileira #Finanças #Setor de Veículos

Fonte original: https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/alta-dos-carros-usados-perde-forca-e-tem-pior-trimestre-desde-2025/. Artigo reescrito e analisado pelo sistema Kautt Radar.