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Por que CEOs excluem o RH das decisões estratégicas?

23 de outubro de 2026

Um levantamento recente aponta que a vasta maioria dos líderes de Recursos Humanos ainda se sente à margem das grandes decisões corporativas. O distanciamento reflete um gargalo crítico na governança que pode comprometer a competitividade a longo prazo.

O Abismo entre o Board e o RH: A Barreira que Limita o Crescimento Corporativo

Apesar do discurso frequente sobre a importância do capital humano na era da transformação digital, a realidade nas altas cúpulas das empresas brasileiras revela uma desconexão preocupante. Dados recentes coletados durante o evento HR First Class apontam que apenas 27% dos CEOs envolvem efetivamente as lideranças de Recursos Humanos em processos decisórios de relevância estratégica.

Este cenário sugere que o setor, historicamente visto como operacional ou meramente administrativo, ainda luta para consolidar sua posição no chamado "C-Level". A exclusão do RH das discussões sobre novos investimentos, expansões ou mudanças de modelo de negócio não é apenas uma falha de comunicação, mas um risco latente para a sustentabilidade das organizações.

O Gargalo do RH Estratégico

A sensação de isolamento relatada pelos gestores de pessoas evidencia que a transição para um "RH Business Partner" ainda não se concretizou na maioria das estruturas corporativas. Quando o RH é acionado apenas na fase de execução — como na contratação ou demissão de equipes após uma fusão — a empresa perde a oportunidade de mitigar riscos culturais e operacionais que o olhar humano poderia antecipar.

Para muitos executivos, o distanciamento ocorre pela falta de fluência dos líderes de RH em indicadores financeiros e métricas de desempenho puramente voltadas ao lucro. No entanto, o contra-argumento é igualmente forte: sem uma estratégia de talentos alinhada à visão da presidência, a execução de qualquer planejamento estratégico torna-se frágil e suscetível a altos índices de turnover e desengajamento.

A Urgência da Mudança Cultural

A pesquisa reforça que a mudança precisa ser bidirecional. De um lado, os CEOs devem reconhecer que o capital intelectual é o principal ativo competitivo do século XXI. De outro, os diretores de RH precisam se posicionar como analistas de dados e estrategistas, capazes de demonstrar como a gestão de talentos impacta diretamente o EBITDA e o valor de mercado da companhia.

Empresas que integram o RH nas discussões de alto nível costumam apresentar maior agilidade na adoção de novas tecnologias e uma gestão de crises mais resiliente. O envolvimento precoce permite que a liderança de pessoas prepare o terreno cultural, identificando lacunas de habilidades antes que elas se tornem gargalos produtivos.

O Futuro da Liderança Compartilhada

Superar a marca dos 27% de engajamento exige uma redefinição das competências exigidas para o cargo de CHRO (Chief Human Resources Officer). Não basta mais entender de legislação trabalhista ou psicologia organizacional; é imperativo dominar o ecossistema de negócios global.

A democratização das decisões estratégicas, com a inclusão de quem entende o pulso dos colaboradores, é o que separará as empresas resilientes daquelas que sucumbirão à falta de propósito e talentos. O mercado não permite mais que o capital humano seja tratado como um anexo ao plano de negócios, mas sim como o motor principal de sua viabilidade.

No Kautt Radar, acreditamos que o isolamento do RH no board é o sintoma de uma visão de curto prazo que ignora que a tecnologia só escala se houver pessoas prontas para operá-la.

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Fonte original: https://valor.globo.com/carreira/noticia/2026/10/23/so-27percent-dos-ceos-envolvem-o-rh-nas-decisoes-relevantes-para-o-negocio-dizem-lideres-da-area.ghtml. Artigo reescrito e analisado pelo sistema Kautt Radar.