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Recuperação Judicial: Crise deve se prolongar até 2027

22 de outubro de 2026

O cenário de insolvência corporativa no Brasil não deve apresentar alívio significativo até 2027, impulsionado pela manutenção das taxas de juros em patamares restritivos. Especialistas da Allianz Trade apontam que a estabilização das recuperações judiciais em níveis elevados é o novo normal para o mercado nacional.

O Longo Inverno das Empresas: Por que a Crise de Insolvência Não Deve Ceder até 2027

O mercado corporativo brasileiro enfrenta um período de turbulência prolongada que desafia até as projeções mais otimistas. De acordo com a análise mais recente da Allianz Trade, líder global em seguros de crédito, o volume de pedidos de recuperação judicial (RJ) no país não deve registrar uma queda expressiva nos próximos três anos. A expectativa é que o patamar atual, já considerado elevado, se estenda até pelo menos 2027.

Este cenário reflete uma realidade econômica onde o alívio financeiro para as companhias endividadas parece cada vez mais distante. A combinação de endividamento legado e um custo de capital proibitivo cria uma barreira difícil de transpor para gestores que buscam reequilibrar o fluxo de caixa.

O Peso dos Juros no Balanço Corporativo

O principal catalisador para a manutenção desse quadro é a trajetória da taxa básica de juros (Selic). Enquanto o mercado global observa movimentos de flexibilização em economias desenvolvidas, o Brasil permanece preso a uma política monetária restritiva para conter as expectativas inflacionárias. Para o setor empresarial, juros altos significam que o serviço da dívida consome uma fatia desproporcional da receita operacional.

Felipe Tanus, diretor de crédito da Allianz Trade, destaca que o momento atual não permite celebrações. O executivo ressalta que a estabilidade no número de casos, se ocorrer, será em um nível muito alto. Isso significa que a “limpeza” no mercado, onde empresas ineficientes ou excessivamente alavancadas buscam proteção legal, continuará sendo uma constante no radar dos investidores.

Um Cenário de Estabilização no Topo

Diferente de crises anteriores, onde observávamos picos seguidos de quedas abruptas, o momento atual sugere uma estabilização lateral. As empresas brasileiras estão lidando com uma mudança estrutural no acesso ao crédito. Instituições financeiras tornaram-se mais seletivas e o mercado de capitais, embora resiliente, exige prêmios de risco que muitas companhias de médio porte não conseguem sustentar.

A persistência das recuperações judiciais também indica que os processos de reestruturação estão levando mais tempo ou sendo menos eficazes do que o planejado. Quando uma empresa entra em RJ hoje, ela enfrenta um ambiente de consumo morno e custos de insumos instáveis, dificultando a execução de planos de recuperação que foram desenhados sob premissas macroeconômicas mais favoráveis.

Estratégias de Sobrevivência e Crédito

Para os fornecedores e parceiros comerciais, este panorama exige um rigor redobrado na análise de risco de crédito. O seguro de crédito e o monitoramento constante da saúde financeira de clientes tornam-se ferramentas indispensáveis. A previsão da Allianz Trade serve como um alerta: a resiliência operacional será o grande diferencial competitivo até o final da década.

Empresas que dependem excessivamente de rolagem de dívida de curto prazo estão na linha de frente do risco. Por outro lado, aquelas que conseguirem navegar por esse período sem recorrer à proteção judicial emergirão com estruturas de capital muito mais robustas em 2027, prontas para aproveitar um eventual ciclo de expansão.

No Kautt Radar, entendemos que o Brasil vive um ajuste doloroso, onde a seletividade do crédito separa os modelos de negócio sustentáveis daqueles que apenas sobreviviam à base de liquidez barata.

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Fonte original: https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/10/22/juros-altos-devem-impedir-desacelerao-de-casos-de-recuperao-judicial-em-2027-diz-allianz-trade.ghtml. Artigo reescrito e analisado pelo sistema Kautt Radar.