S&OP: 81% das empresas ainda dependem de planilhas em 2025
19 de outubro de 2026
Um novo levantamento internacional aponta que a vasta maioria dos profissionais de planejamento operacional ainda utiliza ferramentas manuais em suas rotinas. O estudo da AbcSupplyChain destaca a desconexão entre a oferta de sistemas avançados e a realidade prática das cadeias de suprimentos globais.
O Paradoxo da Digitalização na Cadeia de Suprimentos
Embora o conceito de Indústria 4.0 tenha dominado as narrativas corporativas na última década, a realidade prática nos departamentos de planejamento revela um cenário muito mais conservador. Um estudo abrangente realizado pela AbcSupplyChain com 164 especialistas em Planejamento de Vendas e Operações (S&OP) e Planejamento Integrado de Negócios (IBP) traz um dado alarmante: 81,1% desses profissionais ainda recorrem a planilhas eletrônicas, como Excel e Google Sheets, para gerenciar processos críticos.
Este fenômeno ocorre em um momento onde soluções de Inteligência Artificial e análise preditiva nunca estiveram tão acessíveis. O levantamento, que cruzou dados de 54 países e 23 setores econômicos distintos, sugere que a presença de sistemas ERP robustos nas organizações não garante, por si só, uma integração fluida de dados. O uso persistente de ferramentas manuais indica que a complexidade da cadeia de suprimentos atual muitas vezes supera a agilidade de configuração dos softwares corporativos tradicionais.
As Razões por Trás do Domínio do Excel
Existem fatores estruturais que explicam por que as planilhas continuam sendo o "porto seguro" dos gestores. A flexibilidade é o principal deles. Em um mercado global volátil, ajustar uma fórmula em uma planilha é instantâneo, enquanto modificar um fluxo de trabalho dentro de um software de gestão proprietário pode exigir semanas de desenvolvimento e aprovações de TI.
Além disso, a interoperabilidade entre diferentes elos da cadeia ainda é um gargalo. Muitas vezes, os dados que alimentam o S&OP vêm de fontes heterogêneas — fornecedores externos, parceiros logísticos e diferentes departamentos internos — que não compartilham a mesma infraestrutura digital. Nesse cenário, o Excel atua como o denominador comum, uma linguagem universal que permite a consolidação rápida, ainda que arriscada, de informações dispersas.
Riscos e a Necessidade de Evolução para o IBP
A dependência excessiva de processos manuais carrega perigos inerentes. O erro humano, a falta de uma "única fonte da verdade" e a dificuldade em escalar análises complexas são vulnerabilidades que podem custar caro em momentos de crise. Quando o planejamento de demanda e o abastecimento dependem de arquivos estáticos, a empresa perde a capacidade de reagir em tempo real a oscilações de mercado.
Para as organizações que buscam a transição para o Integrated Business Planning (IBP), o desafio não é apenas tecnológico, mas cultural. A migração das planilhas para sistemas integrados exige que os times confiem nos algoritmos e que a governança de dados seja rigorosa. O levantamento da AbcSupplyChain serve como um lembrete de que a transformação digital na logística é uma maratona, não um sprint, e que a ferramenta mais sofisticada do mundo não tem valor se a operação não conseguir abandonar velhos hábitos de controle.
No radar da Kautt, a persistência das planilhas é o sintoma de que a tecnologia de prateleira ainda falha em entregar a usabilidade e a agilidade exigidas pelo dinamismo do supply chain moderno.
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Fonte original: https://valor.globo.com/patrocinado/dino/noticia/2026/10/19/planilhas-ainda-sao-usadas-no-sop-por-81-dos-profissionais-1.ghtml. Artigo reescrito e analisado pelo sistema Kautt Radar.