PF mira Jockey Bit, Wish Money e F2 Trading em nova operação
22 de outubro de 2026
A Polícia Federal deflagrou a Operação São Silvestre para desarticular esquemas de pirâmide financeira que prometiam lucros irreais com criptoativos. As investigações focam em plataformas como Jockey Bit e F2 Trading, que operavam à margem da regulação nacional.
A Queda das Promessas: Polícia Federal Desmantela Esquemas de Criptoativos
O mercado de ativos digitais no Brasil enfrenta mais um capítulo de rigor regulatório e policial. Nesta quinta-feira, a Polícia Federal (PF) deu início à Operação São Silvestre, uma ofensiva estratégica contra organizações suspeitas de operar pirâmides financeiras disfarçadas de investimentos em criptomoedas. O foco da ação recai sobre três nomes específicos que ganharam notoriedade no setor: Jockey Bit, Wish Money e F2 Trading.
As investigações apontam que essas entidades operavam em um vácuo jurídico deliberado. Sem registros de CNPJ ou autorização dos órgãos competentes, elas atraíam investidores com a promessa de rendimentos passivos elevados, valendo-se da falta de conhecimento técnico de boa parte do público sobre o funcionamento do ecossistema blockchain.
O Modus Operandi e a Conexão Catarinense
Um dos pontos centrais da operação é a Jockey Bit. Embora se apresentasse como uma plataforma moderna de investimentos, a empresa mantinha sua base de operações na Praia Brava, em Itajaí (SC). Santa Catarina tem se tornado um polo de tecnologia, mas, infelizmente, também atrai a atenção de autoridades para a proliferação de escritórios de fachada que comercializam produtos financeiros irregulares.
Diferente da Jockey Bit, a Wish Money e a F2 Trading operavam com uma estrutura internacional. No entanto, o sucesso desses esquemas em solo brasileiro dependia de uma rede capilarizada de parceiros e divulgadores locais. Esses agentes eram responsáveis por "evangelizar" novos clientes, muitas vezes utilizando táticas de marketing multinível para expandir a base de capital sob custódia das plataformas.
O Rastro da F2 Trading e o Histórico com a CVM
A F2 Trading não é um nome novo no radar dos reguladores. A plataforma surgiu em 2019 como uma sucessora direta da FX Trading, empresa ligada ao empresário Philip Han. O histórico é marcado por atritos com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Antes mesmo do surgimento da F2, a CVM já havia emitido ordens de parada (stop orders) para a FX Trading, proibindo a oferta de investimentos no mercado Forex.
O Forex, por envolver derivativos e contratos de diferença, exige autorização expressa da autarquia para ser comercializado no Brasil. A transição da FX para a F2 é vista por analistas como uma tentativa de contornar sanções anteriores, mantendo a estrutura de captação sob uma nova roupagem comercial. Essa reciclagem de marcas é uma característica comum em esquemas que buscam sobrevida após a exposição por órgãos de controle.
O Impacto para o Investidor e o Setor Cripto
A Operação São Silvestre reforça a necessidade de diligência por parte dos investidores brasileiros. A ausência de um CNPJ e de representantes legais claros no país é o primeiro sinal de alerta para qualquer aporte financeiro. O setor de criptomoedas, embora legítimo e inovador, continua sendo utilizado como isca devido à sua volatilidade e à aura de "lucro rápido".
Para o mercado de tecnologia e negócios, ações como esta são fundamentais para separar o joio do trigo. A limpeza de agentes mal-intencionados fortalece as exchanges que operam dentro da legalidade e colabora para a construção de um ambiente de negócios mais maduro e confiável no Brasil.
No Kautt Radar, acreditamos que a inovação tecnológica só prospera com segurança jurídica; enquanto o investidor buscar atalhos mágicos, o crime organizado encontrará novas formas de digitalizar velhos golpes.
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Fonte original: https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/10/22/trs-plataformas-esto-entre-alvos-de-operao-da-pf-contra-pirmides-financeiras.ghtml. Artigo reescrito e analisado pelo sistema Kautt Radar.