Márcio Canella preso: Operação da PF abala a política do Rio
15 de outubro de 2026
A Polícia Federal prendeu o deputado estadual Márcio Canella na oitava fase da Operação Unha e Carne, sob acusação de liderar um esquema de lavagem de dinheiro via postos de combustíveis. O parlamentar é figura central na política da Baixada Fluminense e sua detenção traz instabilidade ao cenário legislativo fluminense.
Crise Institucional no RJ: O Impacto da Prisão de Márcio Canella pela PF
A política fluminense enfrenta mais um capítulo turbulento com a deflagração da oitava fase da Operação Unha e Carne. Na manhã desta quarta-feira, a Polícia Federal (PF) executou o mandado de prisão contra Márcio Canella (União Brasil), o segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro nas últimas eleições. A ação coloca em xeque a estabilidade de um dos nomes mais influentes da Baixada Fluminense e levanta debates profundos sobre a integridade do sistema representativo estadual.
Canella, ex-prefeito de Belford Roxo, é uma figura de peso no tabuleiro político regional. Sua expressiva votação refletia, até então, uma hegemonia consolidada na sexta maior cidade do estado. Entretanto, as investigações apontam para uma face oculta desse poder, ligada a uma estrutura sofisticada de ocultação de bens e recursos ilícitos.
O Esquema de Lavagem e a Estrutura Criminosa
De acordo com os relatórios da Polícia Federal, Márcio Canella atuaria como o "patrono político" e o principal articulador de uma organização criminosa armada. O foco da operação é desmantelar uma rede que utilizava postos de combustíveis espalhados pela Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavar dinheiro de origem duvidosa.
O uso de postos de gasolina como fachada para lavagem de capitais é uma tática conhecida, mas a magnitude do envolvimento de um parlamentar de alto escalão escalona a gravidade do caso. Para os investigadores, a influência política de Canella servia como blindagem para as operações financeiras do grupo, permitindo que a engrenagem criminosa funcionasse com aparência de legalidade por anos.
Histórico de Controvérsias e Reincidência
Esta não é a primeira vez que o deputado entra no radar das autoridades em 2024. Em julho deste ano, Canella já havia sido detido por posse ilegal de arma de fogo durante uma etapa anterior da mesma operação. Naquela ocasião, ele foi libertado após alguns dias devido à alegada falta de indícios diretos imediatos. Contudo, o avanço das perícias e depoimentos fortaleceu a tese da PF, culminando no novo mandado de prisão.
Além das acusações de lavagem de dinheiro, o parlamentar enfrentou sua última campanha eleitoral sob o peso de denúncias de ligação com milícias na Baixada Fluminense. Embora tenha conseguido manter sua candidatura e sair vitorioso nas urnas, as suspeitas de que grupos paramilitares influenciaram sua base de apoio nunca foram totalmente dissipadas pelo setor de inteligência policial.
Consequências para a Alerj e o Cenário Estadual
A prisão de Canella gera um vácuo de poder na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Como um dos recordistas de votos, sua ausência impacta diretamente na articulação de blocos partidários, especialmente dentro do União Brasil, partido que detém fatias importantes do governo estadual.
O mercado e os analistas políticos agora observam se haverá um desdobramento em direção a outros nomes do legislativo, uma vez que operações desse porte costumam revelar ramificações em diferentes esferas da administração pública. A recorrência de crises envolvendo deputados fluminenses reforça a percepção de um ecossistema político permanentemente sob vigilância institucional.
No Kautt Radar, acreditamos que a promiscuidade entre o capital político e estruturas financeiras paralelas continua sendo o maior gargalo para o desenvolvimento institucional do Rio de Janeiro.
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Fonte original: https://valor.globo.com/politica/noticia/2026/10/15/preso-hoje-pela-pf-mrcio-canella-o-segundo-deputado-estadual-mais-votado-no-rio.ghtml. Artigo reescrito e analisado pelo sistema Kautt Radar.