Keeta vs 99Food: A disputa pelo delivery no Brasil
21 de outubro de 2026
A Keeta, braço da gigante chinesa Meituan, acionou a Justiça de São Paulo acusando a 99Food de descumprir decisões que visam garantir a livre concorrência. A controvérsia gira em torno de novos termos contratuais que, na prática, ainda impediriam a entrada da nova plataforma em estabelecimentos parceiros.
A Guerra dos Aplicativos: Keeta Acusa 99Food de Driblar a Justiça
O mercado brasileiro de delivery, conhecido por sua alta concentração e barreiras de entrada significativas, tornou-se palco de um novo e intenso embate jurídico. A Keeta, plataforma operada pela gigante chinesa Meituan, elevou o tom contra a 99Food, acusando a concorrente de utilizar manobras contratuais para contornar uma determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A disputa não é apenas sobre logística, mas sobre o futuro da competitividade no setor de tecnologia e serviços.
O Nó Górdio dos Contratos de Exclusividade
A origem do conflito reside em cláusulas contratuais que impediam restaurantes parceiros da 99Food de operarem com a Keeta. Anteriormente, o TJSP já havia decidido pela proibição dessas restrições, estabelecendo uma multa severa de R$ 100 mil por contrato em caso de descumprimento. A intenção da justiça era clara: permitir que novos players pudessem disputar o market share de forma orgânica.
No entanto, a Keeta afirma que a 99Food encontrou uma forma de manter o status quo. Segundo a petição enviada à justiça, a plataforma teria introduzido um aditivo contratual a partir do final de setembro. Este novo termo permite que o restaurante trabalhe com "mais uma plataforma de sua escolha". À primeira vista, parece uma abertura, mas a análise estratégica da Keeta revela uma realidade diferente.
A Estratégia da 'Escolha Única'
A acusação da Keeta sustenta que, como a grande maioria dos restaurantes já utiliza o iFood — líder absoluto do mercado — a permissão para ter apenas "mais uma" plataforma satélite consome a única vaga disponível. Na prática, o estabelecimento teria que escolher entre manter a 99Food ou trocar para a Keeta, sem poder operar com ambas simultaneamente enquanto mantém o iFood.
A Keeta alega ter identificado esse padrão em pelo menos 45 estabelecimentos diferentes. Para a empresa da Meituan, essa é uma tática de "exclusividade disfarçada", desenhada especificamente para barrar a expansão de sua operação em território brasileiro, mantendo o ecossistema fechado para novos entrantes sob o verniz de uma liberdade de escolha limitada.
Impactos para o Ecossistema de Negócios
Este caso é emblemático para o ecossistema de tecnologia e negócios no Brasil. Ele levanta questões cruciais sobre o poder das grandes plataformas em ditar as regras do jogo para pequenos comerciantes. A judicialização ressalta a dificuldade de empresas estrangeiras, mesmo com capital robusto como a Meituan, em romper as barreiras invisíveis criadas por contratos de longo prazo e fidelidade forçada.
Se a Justiça de São Paulo entender que houve má-fé ou descumprimento deliberado da ordem anterior, as sanções financeiras podem escalar rapidamente, criando um precedente importante. Por outro lado, o caso reforça a necessidade de regulação mais clara pelo CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) sobre como as plataformas de intermediação devem se comportar em um mercado de rede.
No Kautt Radar, observamos que esta batalha é o sintoma de um mercado que luta para amadurecer enquanto os gigantes tentam proteger seus territórios a qualquer custo normativo.
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Fonte original: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/10/21/keeta-acusa-99food-de-driblar-deciso-judicial.ghtml. Artigo reescrito e analisado pelo sistema Kautt Radar.