Itaú utiliza Psicologia para treinar IA contra Golpes
05 de outubro de 2026
O Itaú Unibanco adotou uma estratégia inovadora ao contratar psicólogos para treinar sua inteligência artificial contra fraudes. O objetivo é desenvolver abordagens capazes de retirar as vítimas do estado de 'transe' provocado por engenharia social durante ataques criminosos.
A Psicologia no Centro da Segurança Digital
O cenário de segurança cibernética no Brasil atingiu um ponto de inflexão onde a tecnologia isolada já não é suficiente. Recentemente, o Itaú Unibanco revelou um movimento estratégico atípico para o setor financeiro: a contratação de psicólogos para colaborar no treinamento de seus sistemas de inteligência artificial (IA). A iniciativa visa combater o que especialistas chamam de "epidemia de golpes", focando não apenas em códigos, mas no comportamento humano.
Historicamente, as defesas bancárias concentravam-se em algoritmos de detecção de padrões de consumo e bloqueios de contas suspeitas. No entanto, o avanço da engenharia social — onde o criminoso manipula a vítima emocionalmente — exigiu uma mudança de paradigma. Agora, o foco está em interromper o gatilho psicológico que faz com que o cliente autorize transações fraudulentas sob pressão.
Quebrando o 'Transe' da Engenharia Social
Quando um indivíduo é alvo de um golpe, muitas vezes entra em um estado mental de urgência ou medo, frequentemente referido como "transe". Os golpistas utilizam técnicas de persuasão que bloqueiam o pensamento racional da vítima, fazendo com que ela ignore avisos de segurança padrão. Felipe Tambelini, diretor de prevenção a fraudes do banco, destaca que a situação no Brasil é crítica e demanda uma atuação multissetorial.
Ao integrar psicólogos no desenvolvimento da IA, o Itaú busca criar assistentes virtuais que identifiquem sinais de hesitação ou comportamentos atípicos durante uma transação. A ideia é que a IA possa intervir com mensagens e interfaces desenhadas especificamente para "acordar" o usuário, utilizando gatilhos cognitivos que forcem o retorno ao raciocínio lógico antes da confirmação de uma transferência suspeita.
O Desafio da Colaboração Ecossistêmica
A luta contra o crime financeiro digital não pode ser vencida por uma única instituição. Existe uma necessidade urgente de cooperação entre bancos, empresas de telecomunicações e plataformas de redes sociais. Enquanto os bancos aprimoram suas defesas internas, as operadoras de telefonia precisam mitigar a origem das chamadas fraudulentas e o spoofing de números oficiais.
Além disso, o papel da educação financeira e digital torna-se o pilar de sustentação para as novas tecnologias. A IA treinada com nuances psicológicas é uma camada extra de proteção, mas a conscientização sobre as táticas de manipulação continua sendo a defesa mais barata e eficaz a longo prazo. O mercado observa atentamente se essa abordagem humanizada da tecnologia se tornará o novo padrão ouro para a proteção de ativos no país.
A convergência entre ciência comportamental e algoritmos mostra que a verdadeira inovação em segurança não está em criar muros mais altos, mas em entender as falhas na arquitetura da decisão humana.
#Cibersegurança #Itaú #Inteligência Artificial #Engenharia Social #Fintech #Psicologia Aplicada
Fonte original: https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/10/05/itau-contrata-psicologos-para-treinar-assistente-virtual-e-tirar-vitimas-de-golpe-do-transe.ghtml. Artigo reescrito e analisado pelo sistema Kautt Radar.