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Itaú: Juros abaixo de 10% são essenciais para o crédito

06 de outubro de 2026

O CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, refutou a ideia de que o setor financeiro se beneficia de taxas elevadas, defendendo juros de um dígito como motor da produtividade. Durante o evento Panorama Itaúsa, o executivo destacou a estabilidade da inadimplência na instituição mesmo diante de um cenário macroeconômico restritivo.

O Mito dos Juros Altos no Setor Bancário

Em uma declaração que desafia o senso comum sobre a rentabilidade das instituições financeiras, Milton Maluhy, CEO do Itaú Unibanco, trouxe uma perspectiva clara sobre a política monetária brasileira durante o evento Panorama Itaúsa. Para o executivo, a ideia de que os bancos preferem um cenário de Selic elevada é um equívoco que ignora a dinâmica de sustentabilidade do crédito a longo prazo.

Maluhy enfatizou que a saúde do ecossistema financeiro está intrinsecamente ligada a uma taxa de juros que não ultrapasse os dois dígitos. Segundo ele, o patamar abaixo de 10% é o divisor de águas que permite transformar o crédito em um verdadeiro propulsor da economia real, afetando positivamente desde a produtividade industrial até o poder de compra das famílias.

Estabilidade em Tempos de Incerteza

Embora o Brasil enfrente um ciclo de juros restritivos e um alto comprometimento da renda familiar, o Itaú Unibanco tem apresentado números que contrastam com o pessimismo do mercado. O CEO revelou que a instituição mantém índices de inadimplência estáveis há seis trimestres consecutivos, um feito significativo considerando a volatilidade econômica recente.

Essa resiliência é atribuída a uma gestão de portfólio mais conservadora e estratégica, que tem performado acima da média do setor. Ao manter o risco sob controle, o banco se posiciona de forma a absorver melhor os impactos da política monetária atual, embora Maluhy reitere que o crescimento sustentável da carteira de financiamentos depende diretamente de uma redução no custo do capital.

Impacto na Economia Real e Consumo

A defesa por juros mais baixos fundamenta-se na capacidade de pagamento dos tomadores de crédito. Quando a taxa básica de juros recua, abre-se espaço para financiamentos mais saudáveis, reduzindo o risco de sobre-endividamento das famílias e permitindo que as empresas planejem investimentos em expansão e geração de empregos.

Para o líder do maior banco privado da América Latina, o cenário de juros altos trava a roda da economia ao elevar o custo de oportunidade e desestimular o consumo. A visão apresentada no Panorama Itaúsa sinaliza que, para o setor bancário, o volume de negócios gerado por uma economia aquecida é muito mais valioso do que as margens obtidas em um ambiente de escassez de crédito e alto risco de calote.

No Kautt Radar, entendemos que a fala de Maluhy é um recado direto aos formuladores de política monetária: o lucro bancário sólido não advém da taxa alta, mas da fluidez de um mercado onde o crédito é acessível e o risco é controlável.

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Fonte original: https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/10/06/banco-gosta-de-trabalhar-com-juros-abaixo-de-dois-digitos-o-que-permite-impulsionar-a-economia-diz-ceo-do-itau.ghtml. Artigo reescrito e analisado pelo sistema Kautt Radar.