Crise de Imagem: O Principal Gatilho de Contratação em RP
07 de outubro de 2026
Um novo levantamento da Knewin aponta que a gestão de danos ainda é a principal porta de entrada para agências de comunicação no Brasil. O estudo revela que a grande maioria das marcas só busca suporte especializado quando a reputação já está sob fogo cruzado, negligenciando estratégias preventivas.
O custo da reatividade: Crises de imagem ainda ditam o ritmo das agências de RP
No ecossistema corporativo brasileiro, a máxima de que "é melhor prevenir do que remediar" ainda não se tornou a regra no que diz respeito à gestão de marca. De acordo com a segunda edição do estudo O Panorama da Gestão de Reputação Empresarial no Brasil | Edição 2026, conduzido pela Knewin, o mercado de comunicação corporativa continua sendo movido, em grande parte, pelo senso de urgência e pelo gerenciamento de danos.
Os dados são reveladores: 98,5% das agências de Relações Públicas e comunicação consultadas admitem que são procuradas por clientes no exato momento em que uma crise se instala. Esse cenário demonstra que, embora a transformação digital tenha acelerado o fluxo de informações, a mentalidade estratégica das lideranças ainda patina na reatividade.
O "Marketing de Incêndio" como modelo de negócio
A pesquisa, que ouviu 166 profissionais do setor entre o final de 2025 e o início de 2026, destaca que a crise não é apenas um desafio operacional, mas o principal motor comercial das agências. Cerca de 76,5% das empresas de comunicação afirmam conquistar novos contratos justamente quando uma organização está atravessando um período de instabilidade reputacional.
Este fenômeno, que podemos chamar de "marketing de incêndio", evidencia um gap estrutural nas companhias. Em vez de investir em monitoramento contínuo e construção de ativos reputacionais, muitas marcas preferem alocar orçamentos robustos apenas para conter hemorragias de imagem. O problema é que, sob pressão, o custo da comunicação é invariavelmente mais alto e a eficácia da mensagem pode ser reduzida pela desconfiança do público.
A falha na cultura da prevenção
O levantamento da Knewin joga luz sobre a dicotomia entre o discurso executivo e a prática cotidiana. Embora a reputação seja frequentemente citada como o maior patrimônio de uma empresa, o investimento em inteligência de dados e análise de sentimento prévia ainda é secundário.
Quando uma marca busca ajuda apenas no ápice do problema, ela perde a oportunidade de ditar a narrativa. O papel das agências, nesse contexto, torna-se muito mais o de um "bombeiro" do que o de um consultor estratégico de longo prazo. Essa dinâmica impede que as empresas construam um "colchão de boa vontade" com seus stakeholders, algo fundamental para amortecer impactos em casos de erros eventuais.
Mudança de paradigma e monitoramento ativo
Para especialistas em gestão de crise, a solução para quebrar esse ciclo de dependência do caos reside no uso de tecnologia e dados. O monitoramento em tempo real e a análise preditiva são ferramentas que permitem identificar focos de insatisfação antes que eles escalem para as manchetes ou para o topo dos trending topics.
As agências que desejam se diferenciar no mercado brasileiro estão tentando migrar do modelo de intervenção emergencial para o de parceria contínua. No entanto, o desafio permanece cultural: convencer o C-level de que a proteção da reputação deve ser um item recorrente no balanço, e não uma despesa extraordinária de contingência.
No Radar Kautt, entendemos que a reputação é uma construção diária e silenciosa; esperar o fogo começar para contratar o bombeiro é o erro mais caro que um CEO pode cometer na era da transparência radical.
#Reputação Corporativa #Gestão de Crise #Relações Públicas #Knewin #Comunicação Estratégica
Fonte original: https://valor.globo.com/patrocinado/dino/noticia/2026/10/07/clientes-ainda-procuram-agencias-quando-a-crise-ja-comecou-1.ghtml. Artigo reescrito e analisado pelo sistema Kautt Radar.